avaliação

3.1 Meio Físico

3.1.1 Aspectos Climáticos

A riqueza ambiental do Parque Estadual da Serra do Mar abrange climas distintos ao

longo de sua extensão nordeste-sudoeste. A dinâmica atmosférica, conjugada aos

aspectos geográficos da área, produz climas que se caracterizam pela elevada

pluviosidade e ritmo variável no tempo e no espaço.

A caracterização regional das chuvas por toda a extensão do parque foi realizada a

partir da analise dos dados de 30 postos pluviométricos (DAEE e ANA) e 2 estações

meteorológicas (IO/USP e IAC, Ubatuba), para o período de 1971-1999. Os Núcleos

Picinguaba, Caraguatatuba e São Sebastião englobam a análise das unidades climáticas

do litoral norte paulista realizada por Tavares et al. (2003), destacando parâmetros

como a pluviosidade e sua variabilidade. O Núcleo Cunha compôs investigação do

clima local e análises microclimáticas realizadas por Armani (2004), buscando

discutir as interações existentes entre a temperatura do ar e a umidade

relativa com o relevo, solos, vegetação e a circulação da água no solo. Os

dados meteorológicos gerados nos Núcleos Santa Virgínia, Caraguatatuba e Itutinga-

Pilões (estações automáticas instaladas pelo IF/SMA) foram analisados

comparativamente, através do estudo do ritmo climático durante o ano 2000. A partir

dos dados das estações meteorológicas instaladas nas Rodovias Anchieta e Imigrantes

(ECOVIAS), trecho da Serra do Mar abrangido pelo Núcleo Cubatão, realizou-se

análise inédita das chuvas diárias de janeiro de 2004 a outubro de 2005.

3.1.1.1 Caracterização da Área

A Zona Costeira do Estado de São Paulo, onde está inserido o PESM, pode ser

subdividida em três setores climáticos distintos, baseados nos processos de dinâmica

atmosférica: Litoral Norte, território compreendido entre as serras de Parati (limite

São Paulo - Rio de Janeiro) e Juqueriquerê (Caraguatatuba – São Sebastião),

controlado predominantemente por sistemas equatoriais e tropicais; Litoral Central,

localizado entre as serras de Juqueriquerê e Itatins (sul de Peruíbe), controlado

alternadamente por sistemas tropicais e polares, configurando-se assim uma vasta área

transacional; e Litoral Sul, da Serra de Itatins até a Ilha do Cardoso, controlado pelos

sistemas polares e tropicais. Estes controles dinâmicos, homogêneos regionalmente,

geram feições locais distintas, em função de suas interações com os fatores

geográficos, como a disposição do relevo, orientação das vertentes e a configuração

da linha de costa, associados à direção predominante dos sistemas atmosféricos

produtores de chuvas.

Embora a área em questão esteja situada em grande parte abaixo do Trópico de

Capricórnio (que atravessa a cidade de Ubatuba, a mais setentrional do litoral

paulista), os climas do PESM caracterizam-se como tropical úmido na porção norte e

de tropical à subtropical úmido na porção central e sul. A temperatura média anual

varia de 20º a 24ºC e a precipitação anual, de 1500 a 4000 mm. Precipitações intensas

em 24 horas freqüentemente ultrapassam o montante de 100 mm, o que representa

48 Avaliação do Meio Físico

um risco iminente de ocorrência de movimentos gravitacionais de massa, nos quais se

destacam os escorregamentos. Nessa região, as vertentes são muito inclinadas,

abruptas e recortadas por sucessivas bacias hidrográficas. As escarpas da Serra do

Mar, pela elevada declividade e presença de condicionantes geológicos/geotécnicos,

climáticos e aqueles ligados à cobertura vegetal e uso do solo, são palco freqüente de

processos de instabilização, envolvendo desde o rastejo, quase imperceptível, dos

horizontes superiores do solo, até grandes escorregamentos com conseqüências,

muitas vezes, catastróficas.

3.1.1.2 Climas Regionais

A Figura 7 ilustra a média da distribuição temporal e espacial das chuvas ao longo do

PESM, com destaque para a elevada pluviosidade na porção central, que corresponde

à região do Vale do Itapanhaú.

Figura 7. Média da variação temporo-espacial da pluviosidade anual entre 1971 e

1999 no PESM

Média 1971/1999

800

1000

1200

1400

1600

1800

2000

2200

2400

2600

2800

3000

3200

3400

3600

3800

4000

4200

4400

4600

4800

5000

5200

5400

5600

5800

6000

6200

O Litoral Norte e a Baixada Santista compõem regiões climáticas distintas. O Litoral

Norte, onde se situam os Núcleos Picinguaba, Caraguatatuba e parte de São

Sebastião, é controlado por massas equatoriais e tropicais, com clima úmido das

costas expostas à massa tropical atlântica, sujeitas a uma menor participação das

massas polares. Está cerca de 30% a 40% menos sujeita às invasões de frio. A posição

da Serra do Mar bem próxima à costa é responsável pela acentuada pluviosidade

mesmo no inverno, devido ao efeito orográfico. O Litoral Central abrange os Núcleos

Cubatão e Pedro de Toledo. É controlado por massas tropicais e polares, de clima

úmido na face oriental e subtropical, com aumento da participação das massas

polares, onde a serra se aproxima da costa quase no sentido oeste-leste, que aliado à

300000 350000 400000 450000 500000

7350000-

7400000-

Avaliação do Meio Físico 49

direção oponente às correntes perturbadas do sul, faz com que parte deste trecho

tenha a maior pluviosidade do Brasil.

a) Setor Norte: Núcleos Santa Virgínia, Picinguaba, Caraguatatuba e São

Sebastião

O Núcleo Santa Virgínia situa-se em uma estreita faixa do planalto atlântico entre a

costa e o Vale do Paraíba. Segundo Monteiro (1973), apresenta-se geneticamente

ligado ao litoral norte, juntamente com Picinguaba, Caraguatatuba e São Sebastião,

sendo sazonalmente controlada pelos sistemas equatoriais e tropicais. Regionalmente

configura-se o chamado “Clima úmido das costas expostas à massa tropical atlântica”.

Santa Virgínia forma a Unidade Planalto Atlântico - Bacia Superior do Paraíba. A

diferença verifica-se na distribuição das chuvas, pois a diminuição ocorrida no outonoinverno

é tal que se pode distinguir um período seco. Ainda é o fator relevo que

responde por esta diminuição das chuvas (aliada a temperaturas menos elevadas pela

altitude do planalto), comparada à planície litorânea, já que é uma conseqüência

própria da natural remoção da umidade após a ascensão da borda do planalto.

Segundo o autor, a área está sujeita a menor participação das massas polares (30 a

40% de participação anual) e menos freqüentemente sujeita às invasões de frio. As

chuvas frontais diminuem de intensidade com a latitude e a disposição da Serra do

Mar e do Litoral. A influência orográfica pode produzir pequenas chuvas, sob o

domínio do Sistema Tropical, que em geral tende a estabilidade e ao bom tempo. O

eixo reflexo da Frente Polar tem aí sua área de atuação por excelência e responde

por uma significativa parcela das chuvas de primavera e verão. Em geral em “anos

secos” de fraca atividade polar, o eixo reflexo dá a esta área um certo destaque pelas

chuvas que ocasiona.

Sant’Anna Neto (1990) define a área de Santa Virgínia como subzona Litoral Norte, na

feição Serra do Mar. Esta apresenta nitidamente uma maior atuação dos sistemas

tropicais (tropical atlântico e tropical atlântico continentalizado) e maior atividade

frontal (frente polar atlântica, frente polar atlântica estacionária e frente polar

atlântica em dissipação), pois na altura do Trópico de Capricórnio, na maior parte das

vezes, as frentes perdem intensidade com o aumento da latitude, estacionando e se

dissipando sobre a área, ocasionando um acréscimo de pluviosidade. Segundo o

mesmo autor, a área do Núcleo Picinguaba pertencente à mesma subzona (Litoral

Norte), na feição Ubatuba, que vai do litoral de Maranduba, ao sul, até a Ponta da

Trindade, ao norte, zona costeira com média pluviométrica anual entre 2000 e 2500

mm, comprimida pelas vertentes da Serra do Mar e esporões que avançam e

adentram ao mar.

O Litoral Norte Paulista caracteriza-se não apenas pela complexidade da dinâmica

atmosférica, mas também pela complexidade dos fatores fisiográficos em suas

diferentes associações entre si e com outras variáveis bióticas e atmosféricas (SMA,

1996). Esses aspectos contribuem para compor um quadro ímpar que em termos de

chuva apresenta variações significativas em seus montantes. A Tabela 18 apresenta os

valores mensais e anuais médios dos parâmetros climáticos de Ubatuba.

50 Avaliação do Meio Físico

Tabela 18. Valores médios dos parâmetros climáticos de 1961-1990 - Estação

IO/USP-Ubatuba

Variáveis Meses

Climáticas

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média

Anual

Temperatura

Média ºC

25,4 25,9 25,2 23,2 21,4 20,0 19,5 20,0 20,3 21,4 22,8 24,1 22,4

Temp. Média

Máximas ºC

30,0 30,4 29,5 27,6 25,6 24,2 23,7 24,1 24,1 25,2 26,8 28,4 26,6

Temp. Média

Mínimas ºC

22,3 22,7 22,1 20,4 18,6 17,2 16,7 17,1 17,7 18,8 20,0 21,2 19,6

Umidade

Relativa % 88,2 87,3 88,3 88,0 87,2 86,7 85,8 86,7 88,6 89,2 87,7 88,0 87,6

Fonte: SMA (1996).

Os Núcleos Caraguatatuba e São Sebastião compõe três unidades geomorfológicas

distintas, por conseguinte, possuem características climáticas e pluviométricas

diferenciadas em cada setor, produzidas pela variação altimétrica entre a Planície

Costeira, a escarpa da Serra do Mar e o Planalto Atlântico. A região possui um dos

alinhamentos orográficos mais significativos do território brasileiro. A Serra do Mar

dispõe-se paralelamente a linha da costa, contrapondo-se a ação unificadora dos

ventos oceânicos, contribuindo para elevar os índices pluviométricos. A orografia age

de forma a constituir barreiras que intensificam a ação umidificadora do oceano e dos

fluxos atmosféricos do quadrante sul e sudeste a barlavento, ocorrendo o inverso a

sotavento. Os núcleos situam-se junto à região de confronto de dois domínios

climáticos zonais formados pelos sistemas tropicais e equatoriais (ao norte) e por

sistemas tropicais e polares (ao sul). Regionalmente a porção norte da Serra de

Juqueriquerê forma a Unidade Litoral Norte, e ao Sul, a Unidade Litoral Central

(Maresias).

A existência de um bolsão menos chuvoso na enseada de Caraguatatuba é explicado

pela posição a sotavento das serras que a circundam. Desta enseada, ao sul de

Maranduba até São Sebastião e Ilhabela, as médias anuais de precipitação são mais

reduzidas, em torno de 1700 mm, configurando-se uma nítida área de “sombra de

chuvas” voltadas para o nordeste e leste. Nas vertentes da Serra do Mar, o efeito

orográfico provoca acentuado aumento da pluviosidade, superando 3000 mm, além de

se posicionarem em direção conflitante as correntes atmosféricas de sul e sudeste.

b) Setor Central: Núcleos Itutinga-Pilões e Pedro de Toledo

A área dos núcleos do Setor Central está posicionada de modo transacional entre os

setores norte e sul da Zona Costeira Paulista, o que torna sua caracterização

climática mais complexa. A participação dos sistemas tropicais e extratropicais é mais

equilibrada, porém os sistemas se alternam de um ano para outro. Quando o

anticiclone tropical marítimo se apresenta mais vigoroso e bloqueia as passagens

frontais, essa área recebe maior intensidade de precipitações, pois as frentes tendem a

recuar até esta área e estacionarem antes de se dissiparem, tal qual ocorre na região

de Ubatuba. Por outro lado, quando o ar polar é mais intenso, empurra as frentes

Avaliação do Meio Físico 51

mais para norte, e domina na maior parte dos dias a situação atmosférica, provocando

episódios de chuvas menos intensas. O aumento da distância das vertentes da Serra

do Mar nesta área é compensado pela disposição quase leste-oeste do eixo serrano,

portanto expondo-se de maneira frontal às incursões da frente polar atlântica. Isso faz

da área compreendida entre Bertioga e Maresias a mais chuvosa do litoral.

Na classificação climática de Monteiro, a área compreendida pelo Núcleo Cubatão é

sazonalmente controlada pelos sistemas tropicais e polares, configurando-se

regionalmente os chamados climas úmidos da face oriental e subtropical dominados

pela massa tropical atlântica. Segundo o autor, o trecho costeiro serrano ao sul da Ilha

de São Sebastião (Litoral Central) apresenta um crescente aumento da participação

das massas polares com o aumento da latitude, e um teor de pluviosidade bem mais

elevado que aquele do Setor Norte. O aumento da pluviosidade não segue a latitude,

mas antes, a disposição do relevo e a orientação da costa em relação às correntes da

circulação atmosférica regional. Nas imediações de Santos, a serra aproxima-se da

linha da costa, enquanto a direção desta, daí para ilha de São Sebastião, quase que

passaria a oeste-leste não fora sua disposição em arco. A oponência serrana às

correntes do sul aumenta consideravelmente a pluviosidade, mesmo no inverno.

Considerando a importância da gênese frontal e a freqüência elevada das penetrações

polares, esta é a área detentora dos totais diários mais elevados. A proximidade da

serra da linha da costa oferece a esta área uma acentuada influência de altitude. O

Núcleo Pedro de Toledo, no setor centro-sul, caracteriza-se por uma maior variação

da pluviosidade. Enquanto a unidade rítmica é caracterizada pelo maior índice de

penetração de massas polares e passagens frontais, a distribuição quantitativa das

chuvas varia ao sabor da topografia. Tem-se aqui o trecho litorâneo paulista exposto

no inverno a sensíveis e mais freqüente abaixamento de temperatura.

3.1.2 Compartimentação Fisiográfica e Fragilidades

O presente capítulo tem por objetivo sintetizar as informações contidas no Relatório

da Plantec

1, que traz a descrição das principais unidades de relevo, e apresentar o

Mapa de Restrições ao Uso do Solo no Parque Estadual da Serra do Mar, a partir da

leitura e interpretação das caracterizações fisiográficas estabelecidas por UBC –

Unidade Básica de Compartimentação – e que assim, indicam as principais formações

e compartimentam a paisagem física da Serra do Mar.

3.1.2.1 Compartimentação da Paisagem

A compartimentação fisiográfica foi definida em três grandes domínios de: Planaltos,

Escarpas e Planícies Litorâneas. Estes setores foram sub-compartimentados segundo

características de conjunto observadas na interpretação de imagens de satélite

Landsat 5 em escala 1:50.000, conforme critérios de homogeneidade textural (tipo,

densidade, arranjo, estruturação e organização dos elementos texturais).

1

em Rossi, M.; Moraes, J.F.L. & Donzelli, P.L. Projeto de Preservação da Mata Atlântica - PPMA - Relatório Final

Levantamento do Meio Biofísico. 2002.

52 Avaliação do Meio Físico

As características de conjunto consideradas variaram de acordo com o domínio

geomorfológico observado:

􀂃

Planaltos: disposição, dimensão e forma interfluvial, padrão e densidade de

drenagem, além do entalhamento dos vales e declive;

􀂃

Escarpas: dimensão, disposição e forma dos declives, padrão e densidade de

drenagem e disposição e forma interfluvial, além do entalhamento dos vales e

declive;

􀂃

Planícies Litorâneas: localização de áreas uniformes segundo o tipo de

sedimentação, com cores e rugosidades topográficas homogêneas.

O Domínio dos Planaltos situa-se nos flancos norte e ocidental da Serra do Mar (onde

as altimetrias alcançam mais de 1.200 m) e limita-se aos setores de relevo inferiores,

nos níveis de 800 a 900 m. No Domínio dos Planaltos encontram-se formas altamente

dissecadas, onde os padrões de drenagem geralmente são condicionados à estrutura

geológica regional e nos quais os processos denudacionais são predominantes,

implicando em ambiente de alta energia.

O Domínio das Escarpas consiste em uma faixa de encostas com vertentes abruptas

que margeiam o Planalto Atlântico, de direção predominante Nordeste-Sudoeste,

desde a região do Planalto da Bocaina, na divisa com o Estado do Rio de Janeiro, até a

região do Vale do Ribeira de Iguape. Geralmente suas formas caracterizam-se por

espigões digitados (interflúvios formando promontórios) intercalados a anfiteatros

côncavos e paredões retilíneos. Os processos denudacionais também são

predominantes, implicando igualmente em ambiente de alta energia.

O Domínio das Planícies Litorâneas abrange todo o litoral da área de estudo, salvo os

limites caracterizados como área urbana. A faixa ou orla litorânea correspondente a

este domínio constitui-se no espaço onde ocorrem processos geomórficos marinhos

e continentais, cujas interações atmosféricas e antrópicas concentram-se na zona

intertidal; esta zona compreende a porção delimitada pela linha do litoral, que

demarca o contato entre as águas e as terras e varia com as amplitudes de maré, e a

linha de costa, e se estende até o sopé da escarpa da Serra do Mar, compreendendo

formações recentes (desde o Pleistoceno), nas quais é predominante o processo de

acumulação.

3.1.2.2 Geologia

a) Caracterização da Geologia da Área

Cerca de 60% da área em estudo é constituída por rochas de idade Pré-Cambriana,

que estão inseridas no contexto da Faixa Ribeira. É composta por conjuntos

litológicos variados, marcados por uma evolução tectono-metamórfica distinta,

configurando um quadro geológico com diferentes associações e interpretações para

diversos autores. Esses conjuntos litológicos são separados por zonas de cisalhamento

transcorrentes dextrais, definindo uma estruturação regional de direção NE-SW, a

qual condiciona as formas alongadas das seqüências metamórficas e a disposição

predominantemente concordante dos corpos graníticos.

Avaliação do Meio Físico 53

As unidades litoestratigráficas Pré-Cambrianas que ocorrem na área foram

organizadas nos seguintes domínios tectônicos: Costeiro, Embu e Açungui. Esses

domínios são delimitados por importantes zonas de cisalhamento. As rochas

granitóides foram agrupadas de acordo com suas características texturais e

mineralógicas dentro de cada domínio. Ocorrem na área rochas intrusivas básicaalcalinas

de idade mesozóica.

As coberturas sedimentares cenozóicas são representadas pelos sedimentos do "Rift

Continental do Sudeste do Brasil", que compõem a Bacia de São Paulo, representados

pela Formação São Paulo, pelos depósitos litorâneos constituídos, em parte, pela

Formação Cananéia e, na sua maior parte pelos depósitos cenozóicos indiferenciados

ou relacionados, depósitos aluvionares, colúvio-eluvionares, lacustres paludais, fluviolagunares,

lacustre marinhos e fluviais recentes.

Rochas Pré-Cambrianas

Domínio Embu:

foram identificadas as seguintes unidades litológicas:

􀂃

Rochas gnáissico-migmatíticas, constituídas por hornblenda e/ou biotita gnaisses

bandados e facoidais, por vezes porfiroclásticos e/ou migmatizados, de composição

predominante granítica a granodiorítica, localmente monzonítica (PMcegn).

􀂃

Rochas metapelíticas, formadas por biotita quartzo muscovita xistos, granada

biotita xistos (PMScex), com intercalações de filitos (PMScexf) e quartzitos

(PMScexq). Localmente feldspatizados e injetados por migmatitos (PMScex KF).

Em termos geotécnicos, as rochas gnáissico-migmatíticas possuem um

comportamento diferente das rochas metapelíticas. As segundas podem ser

consideradas menos resistentes aos processos do meio físico apresentando-se mais

susceptíveis, pois possuem intensa foliação (xistosidade) e maior grau de

fraturamento.

Domínio Açungui:

adotou-se como Domínio Açungui as rochas localizadas na região

de Cananéia (extremo sul da área de estudo), conforme CPRM (1991).

Grupo Açungui (Mesoproterozóico): as litologias predominantes deste Grupo, na

região estudada, são compostas por filitos sericíticos xistosos, biotita sericita quartzo

xistos, clorita quartzo xistos, muscovita xistos, biotita muscovita xistos (PMacx).

Domínio Costeiro:

as rochas deste Domínio afloram entre a zona de cisalhamento

de Cubatão e o litoral. São representadas por ortognaisses, migmatíticos, com

intercalações de rochas metamórficas e granulíticas, correspondendo a terrenos

metamórficos de médio a alto grau. Fazem parte deste Domínio as rochas do

Complexo Costeiro e rochas ígneas intrusivas.

Complexo Costeiro (Neoproterozóico):

tratam-se de terrenos metamórficos

fortemente deformados e paralelizados, possuindo composição gnáissico-migmatítica

na sua maioria. Foram delimitadas na área as seguintes litologias:

􀂃

Rochas metabásicas: metagabros, metadioritos, quartzo dioritos,

subordinadamente monzonitos gnáissicos e granodioritos gnáissicos (PSccmb).

54 Avaliação do Meio Físico

􀂃

Rochas gnáissico-migmatíticas: gnaisses de composição granítica a granodiorítica,

biotita gnaisses bandados, biotita horblenda gnaisses migmatizados, migmatitos com

estruturas diversas, biotita gnaisse gradando para migmatitos estromáticos.

(PSccgg).

􀂃

Unidade dos gnaisses porfiblásticos: Hornblenda e/ou biotita gnaisses

porfiroblásticos e granito-gnaisse porfiroblásticos, migmatizados (PSccgp).

􀂃

Unidade granito-gnássica Pico do Papagaio: biotita hornblenda gnaisse facoidal,

biotita gnaisse e biotita granito porfiríticos, por vezes inequigranular, cinza rosado,

com fácies a granada e biotita (PSccpp).

􀂃

Rochas cálcio-silicáticas (PScccs): tratam de gnaisses peraluminosos com boudins

de cálcio-silicáticas e gnaisses calcio-silicáticos.

Rochas Ígneas Intrusivas:

são representadas por maciços pouco foliados e tidos

como pós ou pós a tardi cinemáticos e granitos foliados considerados como précinemáticos.

Essas rochas foram denominadas no mapa CPRM (1991) como "maciços

graníticos diferenciados" (PS

γ), representados por hornblenda biotita granitos,

muscovita biotita granitos, hornblenda biotita granito porfiríticos.

Destacam-se entre os maciços pouco foliados as rochas charnockíticas, que ocorrem

principalmente na região de Ubatuba (PSccck). Tratam-se de charnockitos

equigranulares a porfiríticos, com quartzo mangeritos subordinados.

As rochas intrusivas granitóides e charnockíticas possuem um comportamento

geotécnico diferente das rochas gnáissico-migmatíticas e metapelíticas. Elas podem ser

consideradas muito estáveis geotecnicamente, pois apresentam-se pouco fraturadas e

deformadas.

Coberturas Sedimentares Terciárias:

rift Continental do Sudeste do Brasil: Bacia

de São Paulo (Paleogeno). A bacia de São Paulo faz parte do Rift Continetal do

Sudeste do Brasil, cuja evolução está relacionada ao processo de abertura do

Atlântico Sul. Os sedimentos da Formação São Paulo são compostos por argilitos e

arenitos, arenitos com argilitos subordinados e arenitos, argilitos e conglomerados

(Tsp). Essa formação parece que está zona de amortecimento

Depósitos Quaternários:

pleistoceno: O único depósito que recebeu uma

denominação formal foi a Formação Cananéia, que ocorre nas regiões de Santos e São

Vicente. Ela é constituída na área de estudo por areias quartzosas finas a médias, bem

selecionadas (Qpa). Também estão inseridas nos depósitos quaternários

pleistocênicos as areias finas bem selecionadas, sem estruturas (Qpd).

Holoceno: Aqui estão inseridos os depósitos lacustre-marinhos indiferenciados

(Qhlm), sedimentos praiais intermarés, constituídos essencialmente por areias finas

(Qhim), os depósitos lacustres paludais (mangues), areias finas e argilas orgânicas

(Qhlp), depósitos flúvio-lagunares, representados pelas planícies de inundação e

meandros abandonados (Qhfl), depósitos fluviais de encosta, representado pelos

colúvios (Qhfe), sedimentos praiais atuais (Qhp), colúvios e elúvios (Qhc) e os

aluviões em geral (Qha). No interior do PESM, essas áreas localizam-se apenas no

extremo norte da Unidade de Conservação. Em outros setores, compreendem as

Avaliação do Meio Físico 55

bordas da escarpa da Serra do Mar, portanto, zona de amortecimento do Parque. A

identificação desses depósitos é muito importante, principalmente com relação às suas

propriedades geotécnicas. Essas áreas são consideradas com alta susceptibilidade à

ocorrência de processos do meio físico, pois a percolação de fluidos é favorecida pelo

número de vazios entre os grãos. Portanto essas áreas são consideradas instáveis. É

importante ressaltar que, historicamente, os processos de escorregamento e fluxos

de detritos na escarpa da Serra do Mar, ocorreram a partir dos depósitos

inconsolidados. Portanto esses depósitos são mais susceptíveis à ação dos processos

erosivos. Para a identificação, nas tabelas finais de compartimentação fisiográfica, da

litologia presente em cada unidade básica de compartimentação, foram adotados

números e letras conforme Tabela 19.

Tabela 19. Simbologia utilizada nas unidades básicas de compartimentação, para

identificação das unidades litológicas ocorrentes

Simbologia Litologia

1

PSγ granitos

2

PMScex metapelíticas xistos

2k

PMScex KF metapelíticas xisto feldspatizados

2f

PMScexf metapelíticas filitos

3

PMcegn gnáissico-migmatíticas

4

PSccgg costeiro gnáissico-migmatíticas

5

PMcccs cálciossilicatada

6

PSccgp gnaisses porfiblásticos

7

PMacx Açungui xistos

8

PSccpp granito-gnássica

9

PSccmb costeiro metabásicas

10

Tsp argilitos

11

PSccck charnockíto

12

JKλ sienitos

w Atribuída a zonas de cisalhamento

LC

Qhc colúvios e elúvios

LG

Qhlp depósitos lacustres paludais (mangues)

LS Acumulações orgânicas

LS2 Acumulações orgânicas e sedimentos flúvio-lacustres

LTm

Qhim sedimentos praiais

LTf

Qha aluviões em geral na planície litorânea

LN1,2 e 3

Qpa e Qpd areias quartzosas finas a médias

LTl

Qhfl depósitos flúvio-lagunares

Pr

Qha aluviões em geral no planalto

PC

Qha aluviões em geral no planalto

ELl

Qha aluviões em geral na escarpa

EC

Qhfe depósitos fluviais de encosta (coluvios) na escarpa

56 Avaliação do Meio Físico

b) Características Geotécnicas

As rochas, devido a sua classificação (ígnea, metamórfica, sedimentar), grau de

metamorfismo, estruturação, composição química e mineralógica apresentam

propriedades geotécnicas distintas, assim como os depósitos sedimentares.

A seguir será apresentada a Tabela 20, comparativa entre os diferentes tipos de

rochas e depósitos sedimentares que ocorrem na área, classificando-as entre si, em

ordem crescente de susceptibilidade aos processos do meio físico.

Cabe ressaltar que esta tabela foi construída com base teórica. Não foram realizados

estudos específicos para classificar os materiais na região da Serra do Mar. A tabela

possui uma natureza de comparação relativa entre os materiais, nela não são

propostas valorações absolutas de cada tipo de material em função de sua

susceptibilidade à erosão ou escorregamento.

Tabela 20. Comparação entre os diferentes tipos de rocha na região em estudo

quanto à suscetibilidade

Rochas/Depósitos

Sedimentares

Características Susceptibilidade

Charnockitos (PSccck)

􀂃

Pouco deformado a não deformado,

levemente fraturado

􀂃

Baixa

Granitos (PS

γ)

􀂃

Pouco deformado a não deformado,

levemente fraturado

􀂃

Baixa

Intrusivas básica-alcalinas (JK

λ)

􀂃

Ausência de deformação, moderadamente

fraturado

􀂃

Baixa

Gnaisses e migmatitos (PSccgg,

PSccmb, PSccgp, PSccpp, PMcegn)

􀂃

Deformadas, metamorfisadas. Variam de

pouco a muito fraturadas (dependendo da

proximidade co