programas
5.1 Introdução
Este capítulo apresenta a estrutura dos Programas de Manejo que compõem, ao lado
do Zoneamento, a base para a gestão do Parque Estadual da Serra do Mar nos
próximos cinco anos. Os itens abaixo buscam descrever a lógica através do qual eles
foram elaborados.
5.1.1 Planejamento Estratégico
Conforme descrito detalhadamente no capítulo sobre metodologia, o Plano de
Manejo do PESM foi elaborado a partir de uma abordagem estratégica, ou seja,
procurou-se selecionar temas, atividades e ações que fossem consideradas prioritárias
para a utilização dos recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis. A
metodologia de planejamento adotada combinou etapas de diagnóstico, análise,
elaboração de propostas e monitoramento utilizando o pensamento estratégico como
ferramenta válida para priorizar os temas, estratégias e ações de manejo que mais
contribuam para que o Parque possa atingir seus objetivos.
Assim partiu-se de uma análise situacional estratégica, baseada na identificação dos
fatores internos e externos ao Parque, para identificar os principais “gargalos”
enfrentados hoje pelo PESM e assim poder complementar a estrutura dos Programas
de Manejo necessários para saná-los. Os Programas de Manejo foram definidos em
função dos objetivos legais de criação do Parque.
As principais etapas para a elaboração do planejamento estratégico do Plano de
Manejo foram as seguintes:
Formulação da visão do Parque
Diagnóstico e análise situacional estratégica com formulação dos Temas deConcentração Estratégica (TCE’s)
Formulação de Programas e Sub-Programas baseando-se nos TCE’s5.1.1.1 Formulação da Visão do Parque, partindo de seus Objetivos Legais:
Os objetivos legais do PESM são derivados dos seguintes três documentos:
a) Decreto de Criação do PESM (N
° 10.251 de 30/08/1977)Segundo este documento, o Parque foi criado com a “finalidade de assegurar integral
proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a
objetivos educacionais, recreativos e científicos”.
310 Introdução
b) Regulamento dos Parques Estaduais do Estado de São Paulo (N
° 25.341de 04/06/1986)
Este documento estabelece a destinação e as normas básicas de gestão dos Parques
Estaduais. De acordo com este decreto os Parques Estaduais destinam-se a fins
científicos, culturais, educativos e recreativos e são criados e administrados pelo
Governo Estadual, constituindo bens do Estado (§ 2º). O objetivo básico definido é o
da preservação dos ecossistemas englobados contra quaisquer alterações que os
desvirtuem (§ 3º).
c) Lei Federal N
° 9.985 (18/07/2000) - Sistema Nacional de Unidades deConservação da Natureza (SNUC)
O SNUC define as diretrizes e normas de gestão das unidades de conservação
federais, estaduais e municipais (§ 3°) incidindo, portanto, sobre o PESM. Os objetivos
das unidades de conservação estabelecidos pelo SNUC estão definidos em seu § 4°
dentre os quais destacam-se:
Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos;
Proteger as espécies ameaçadas de extinção;
Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemasnaturais;
Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
Proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;
Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
Proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica,espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural;
Incentivar as atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental;
Promover a educação ambiental, a recreação em contato com a natureza e oturismo ecológico;
Proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populaçõestradicionais.
Este conjunto de dispositivos, aliado a um arcabouço legal mais amplo, define e
determina os objetivos gerais, as normas e as diretrizes que devem orientar os
modelos organizacional e operacional a serem adotados na gestão do PESM. Desta
forma, ao longo do Plano de Manejo, especialmente durantes as oficinas e reuniões de
planejamento integrado, desenvolveu-se uma visão sobre o papel estratégico do
Parque, tendo como ponto de partida os dispositivos legais descritos acima:
O PESM deve ser o maior corredor biológico da Mata Atlântica, fonte de
vida e patrimônio comum da sociedade, onde as pessoas se sintam
responsáveis pela conservação dos seus recursos naturais, históricos e
culturais.
Introdução 311
5.1.1.2 Diagnóstico e Análise Situacional Estratégica
Esta etapa constitui uma análise da situação geral do Parque, com relação aos fatores,
tanto internos quanto externos, que o impulsionam ou que dificultam que os
objetivos para os quais ele foi criado sejam alcançados. Os fatores endógenos que
constituem o cenário interno do Parque foram caracterizados como pontos fortes e
pontos fracos e condicionam seu manejo. Os fatores do cenário externo são
caracterizados como oportunidades e ameaças e auxiliam ou dificultam o alcance de
seus objetivos de criação.
Os principais resultados da análise situacional estratégica do Parque são:
Tabela 72. Resumo das forças restritivas da análise situacional estratégica do
Parque
Temas Ambiente Interno Ambiente Externo
Analisados
Pontos Fracos Ameaças
Biodiversidade
O conhecimento sobre a biodiversidadedo Parque ainda é pequeno
Espécies exóticas
Extração de recursos da biodiversidade,principalmente palmito, bromélias e caça
Interferência de Bambus e Pteridium noprocesso sucessional
Perda e fragmentação de hábitat
Poluição atmosféricaPatrimônio
cultural
Falta de capacidade técnica sobre agestão do patrimônio cultural
Empecilhos jurídicos para a formalizaçãode parcerias estratégicas
Falta de um enfoque de gestão queintegre a conservação dos ecossistemas
com a conservação do patrimônio
cultural
Visitação aos bens culturais sem umcontrole efetivo
Deteriorização do patrimônio culturalpor agentes antrópicos ou naturais
Falta a interação entre as instituiçõesatuantes na conservação do patrimônio
cultural
Situação
fundiária
Somente 40% da área do PESM estálegalizada como domínio público, o
restante está em processo de aquisição,
por desapropriação direta ou indireta
Mapa fundiário incompleto
Conflitos de posse (ocupações em áreasde domínio público)
Conflitos de uso (infra-estruturas estataise concentrações urbanas)
Socioeconomia
e vetores de
pressão
Ausência de instrumentos de negociaçãocom as agências reguladoras e
instituições gestoras da infra-estrutura
Carência de recursos humanos
Vetores de pressão decorrentes dasocupações rurais, urbanas e industriais
Vetores de pressão decorrentes dosacessos (rodovias, trilhas, ferrovias) e
estruturas lineares (dutos, linhas de alta
tensão, antenas)
Vetores de pressão decorrentes doabastecimento de água (barramentos,
captações, reservatórios)
Caça, extração de palmito e outrasespécies vegetais de interesse comercial
312 Introdução
Temas Ambiente Interno Ambiente Externo
Analisados
Pontos Fracos Ameaças
Proteção
Investidura do cargo de vigia não éadequada às demandas da função
Capacidade operacional insuficiente
Porte de armas não regularizado
Apoio jurídico insuficiente
Limites do Parque não sinalizados edemarcados
Desmotivação pela inexistência demecanismos efetivos de fiscalização
Pulverização de responsabilidadesrelacionados à fiscalização e controle
entre IF, DEPRN e Polícia Ambiental
Instituições que utilizam serviçosambientais e áreas não contribuem para
sua proteção
Policia Ambiental não prioriza ações nointerior do Parque
Municípios pouco envolvidos com agestão da proteção
Pesquisa
Não utilização da produção científica nagestão
Produção científica desorganizada e nãodisponível
O acesso às informações mostra-serestrito à comunidade científica, não
sendo aproveitadas pelos demais grupos
relacionados ao Parque
Visitação e
turismo
sustentável
Falta de cobrança de ingresso emecanismos de controle da visitação
Ausência de mecanismos mais simplespara formalização de parcerias
Conceitos insuficientes da questão dosimpactos da visitação
Inexistência de regulamentação dasatividades recreativas e de lazer de das
atividades comerciais de ecoturismo e de
turismo de aventura
Visitação descontrolada responsável por
impactos indesejados
Forte sazonalidade turística e de visitação
Alta demanda de visitação apenas em
poucos locais do Parque
Os poderes municipais divulgam e
promovem a utilização irresponsável dos
atrativos, ignorando a existência do
Parque
Pouca identificação e comprometimento
das populações locais e dos visitantes
Educação
ambiental
Percepção restrita do papel da educaçãoambiental e suas potencialidades
Atuais atividades de educação ambientalsão concentradas em alguns públicos-alvo
já tradicionais
Instituição não prioriza e formaliza oestabelecimento de parcerias com outras
instituições e comunidades
Conselhos Consultivos não sãopercebidos como espaço para
construção de processos de educação
ambiental
A imagem institucional do Parque épouco consolidada para os grupos de
interesse
Alguns grupos têm conflitos sérios como Parque como os moradores de áreas
internas e as comunidades do entorno
A proteção e conservação da MataAtlântica, ainda não são uma diretriz para
os gestores municipais e estaduais na
região
Não há divulgação dos benefícios e açõespositivas do Parque pela mídia local e
regional
Gestão
organizacional
Ausência de unidade de gestão no PESM
Quadro funcional não corresponde àsnecessidades em número, em qualificação
e em definição de cargos e
responsabilidades
Ausência de planejamento integrado eprocedimentos de monitoramento e
avaliação das atividades e resultados
Problemas de relacionamento comoutros órgãos públicos, com os quais
existem sobreposição ou
complementação de competência
Gestão
financeira
Capacidade de execução financeira não étotalmente utilizada
Capacidade de arrecadação de recursospróprios pode ser maior
Ausência de padronização no controledas informações e procedimentos
Falta de sistematização das informaçõesdo IF como um todo
Cultura de planejamento e controleainda não consolidada no IF
Introdução 313
Temas Ambiente Interno Ambiente Externo
Analisados
Pontos Fracos Ameaças
Comunicação e
marketing
O PESM não possui imagem institucionale estratégia de comunicação
Os públicos do Parque não sãoclaramente identificados e trabalhados
um a um
Relacionamento institucional do PESM élimitado aos núcleos e ações locais
Embora seja o Parque mais importanteda Mata Atlântica, o PESM não tem
destaque na mídia e em campanhas
conservacionistas
Os públicos não reconhecem o PESM esua importância na preservação da
natureza
Tabela 73. Resumo das forças impulsoras da análise situacional estratégica do
Parque
Temas Ambiente Interno Ambiente Externo
Analisados
Pontos Fortes Oportunidades
Biodiversidade
Alta riqueza de espécies de flora e fauna
Alta riqueza de espécies raras ouameaças de extinção
Ocorrência de taxa únicos, aindadesconhecidos ou pouco conhecidos
para a ciência
Articulação entre diversas organizaçõesgovernamentais e não governamentais
visando a proteção da Mata Atlântica
Aumento das fontes de financiamentofocadas na proteção da Mata Atlântica
Aumento da consciência ambiental dopúblico em geral
Patrimônio
cultural
Existência de um grande número de bensculturais que podem ser utilizados como
instrumentos de sensibilização
Aumento do interesse do públicointerno, incluindo os chefes dos núcleos,
para a conservação e divulgação do
patrimônio histórico-cultural
Existência de diversas organizaçõesespecializadas na conservação de
recursos culturais que podem ser
potenciais parceiras
Aumento do interesse da opinião públicasobre o patrimônio histórico-cultural
Situação
fundiária
Aumento dos recursos disponíveis para aaquisição de áreas localizadas dentro do
PESM, através de recursos da
compensação ambiental
Socioeconomia
e vetores de
pressão
O IF demonstra interesse e aberturapara resolver os conflitos históricos
existentes na área
Avanços significativos no processo deconvivência entre o Parque e as
comunidades locais, incluindo o
estabelecimento da Zona de Ocupação
Temporária e a Zona Histórico-Cultural
Antropológica
Proteção
Demolição de construções irregularescomo rotina por meio de ações
integradas com Policia Ambiental,
Prefeituras, PGE, MP e IF
Contratação de serviços de vigilânciaterceirizada
Processo de contratação de vigias para oIF, por meio de concurso público, em
andamento
A legislação existente é moderna econtribui para a proteção
Encontros entre IF, CETESB, MP,DEPRN, prefeituras e outras instancias
ligadas à proteção ambiental (Litoral
Norte)
Interesse de parceiros institucionais (p.e.SABESP) em integrar a gestão de áreas
Algumas bases instaladas com recursosde parceiros institucionais (p.e.
FEHIDRO)
314 Introdução
Temas Ambiente Interno Ambiente Externo
Analisados
Pontos Fortes Oportunidades
Pesquisa
Disponibilidade de áreas valiosas para odesenvolvimento de pesquisa científica
Percepção, por parte dos gestores e dosfuncionários dos núcleos, que o
desenvolvimento da pesquisa científica
deve ser estimulado e deve solucionar
problemas
Estabelecimento de parcerias para odesenvolvimento dos trabalhos
prioritários para o Parque
Criação de mecanismos permanentes detroca entre o gestor e o produtor de
conhecimento científico
Visitação e
turismo
sustentável
Conjunto variado de atrativos incluindotrilhas, cachoeiras, mirantes e praias
Locais propícios à prática de atividadesrecreativas, esportivas e de lazer
Possibilidade de desenvolvimento deroteiros e trilhas interligando núcleos
Potencial de maior oferta deoportunidades de negócios, emprego e
renda através do ecoturismo de base
local
Implantação de cursos superiores deturismo no litoral norte com trabalhos
sobre ecoturismo
Existência de alguns empreendimentosturísticos compatíveis com o Parque,
localizados em seus limites
Educação
ambiental
Alguns núcleos acumulam experiência emeducação ambiental e podem ser
referência para os demais
Há abertura para o estabelecimento deparcerias entre o Parque e outros órgãos
públicos e ONG’s
Há abertura por parte do IF para oestreitamento das relações com
instituições públicas
Existência de ONG’s e instituiçõesgovernamentais especializadas em
educação ambiental
Momento propício para integrar aeducação ambiental aos demais
Programas de Manejo
Há membros de comunidadestradicionais que desejam interagir com o
Parque
Gestão
organizacional
O processo de elaboração do Plano deManejo contribuiu para o
desenvolvimento de uma visão de grupo
entre os chefes de núcleos
O processo de elaboração do Plano deManejo motivou os chefes dos núcleos e
estabelecerem um relacionamento mais
próximo e colaborativo entre si
A DRPE está passando por um processode re-estruturação que poderá contribuir
para o desenvolvimento de um
planejamento integrado para o PESM
O processo de elaboração do Plano deManejo contribui para a re-ativação dos
Conselhos Consultivos dos núcleos
Gestão
financeira
O Projeto PPMA contribuiu para umamaior sistematização das informações
O Parque tem um grande potencial parageração de receitas
Grande potencial para o estabelecimentode parcerias que podem alocar recursos
financeiros, materiais e humanos
Nova gestão administrativa do IF comimplantação de política de
procedimentos
Comunicação
e marketing
<font face